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A música e a vida: laços afectivos
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A música e a vida
Hoje sobrevoei várias cenas do meu percurso com o Tiny Cities dos Sun Kil Moon. O álbum é recente, mas transporta-me sempre para esses dias cheios de sol, aquela claridade, aquela sensação de ausência de limites ou barreiras. É essa a magia da música. É muito visual e emocional. Por isso funciona tão bem em cinema.
Parece que este álbum foi inspirado numa travessia de Espanha. Há melodias que nos são familiares, talvez essa seja uma das razões. E depois há a viola, sempre presente. Desde criança que gosto de ouvir os trovadores modernos à viola, seja de que país forem. Cresci com estes sons, o dedilhar, e as vozes límpidas e poéticas. Há também uma tonalidade à anos 70, os anos da simplicidade original, voltar às origens, à rebeldia inicial.
Mesmo voltando à claridade única desses anos mágicos, em que senti pela primeira vez quem era, a minha identidade essencial, a minha energia vital, há sempre alguma coisa que mudou, que se reorganizou, que se reestruturou, uma espécie de suspiro quieto, e tudo volta ao equilíbrio, ao silêncio. É essa ligação que não podemos perder, à nossa síntese, a tudo o que permanece. A música vem lembrar-nos essa ligação. Quando a agitação exterior nos vier desestabilizar ou distrair, é a música que nos traz de volta ao essencial.
